Armando Nogueira
Rio de Janeiro - RJ
 29 de março de 2010

Um dos maiores nomes do jornalismo, Armando Nogueira fez parte da equipe de criação do ‘Jornal Nacional’ – o primeiro telejornal exibido em rede -, em 1969. Nogueira havia chegado à TV Globo três anos antes, levado por Walter Clark, por causa do programa ‘Grande Resenha Facit’, que era exibido na TV Rio. O programa foi a primeira mesa redonda da TV brasileira, contava com nomes como Luís Mendes e João Saldanha e havia sido criada em 1960 por Clark, que era, então, diretor da TV Rio. Armando Nogueira nasceu em 14 de janeiro de 1927, em Xarupi, no Acre. Com 17 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde formou-se em direito em 1953. Antes, ingressou na carreira de jornalista, em 1950, no ‘Diário Carioca’ – periódico que introduziu na imprensa brasileira normas como a do ‘lead’ (o primeiro parágrafo de cada matéria, que responde a perguntas como ‘o que’, ‘quem’ e ‘onde’) -, onde ficou por uma década, exercendo a função de redator, comentarista político e colunista esportivo.
 
Na década de 50, foi redator-chefe e repórter-fotográfico da revista ‘Manchete’ (entre 1955 e 1957) e repórter da ‘O Cruzeiro’ (de 1957 a 1959). Em 1959, transferiu-se para o ‘Jornal do Brasil’, onde assinou uma coluna diária – ‘Na grande área’ – até 73. Um ano mais tarde, foi promovido a diretor da Central Globo de Jornalismo, onde ficou até 1990, por causa de uma reformulação da cúpula jornalística da emissora. Armando Nogueira teve passagens ainda pela TV Cultura, onde participou do ‘Cartão Verde’, pela Bandeirantes e pela rádio CBN. Já em 1995, ingressou no Sportv, onde apresentou o ‘Papo com Armando Nogueira’ e participou do ‘Esporte Real’ e ‘Redação Sportv’. Em agosto de 2007, ao descobrir que tinha um câncer no cérebro, afastou-se da profissão. Em março seguinte, ganhou homenagem da Superintendência de Desportos da Cidade do Rio de Janeiro (Suderj), inaugurando um espaço que leva o seu nome, que dá acesso à tribuna de imprensa do Maracanã. O jornalista cobriu todas as Copas do Mundo desde 1950 e as Olimpíadas desde 1980. Armando Nogueira escreveu uma dezena de livros, como ‘Drama e glória dos bicampeões’, ‘Na grande área – bola na rede’ e ‘O canto dos meus amores’. Durante a carreira, dois furos jornalísticos ficaram famosos. O primeiro ocorreu no final do jogo entre Brasil e Hungria, na Copa da Suíça, em 54, quando fotografou Zezé Moreira, técnico da seleção, batendo com a chuteira na cabeça do chefe da delegação húngara. No segundo, no mesmo ano, foi testemunha do atentado ao jornalista Carlos Lacerda, na Rua Toneleros, em Copacabana, citada como fator para o suicídio de Getúlio Vargas.

Nos últimos meses, seu estado de saúde agravou-se e uma UTI foi instalada em seu apartamento. Armando Nogueira tinha 83 anos e morreu na manhã de hoje, em sua casa, no Rio de Janeiro.

 
publicado por Central de Notícias
Blog do jornalista Guilherme Guidorizzi.
 centraldenoticias.wordpress.com

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